ROMPENDO PARADIGMAS FRENTE A UM NOVO MODE DE SER E DE VIVER

De acordo com Paulo Freire e Vygotski, o poder enfatiza a relação opressor-oprimido. Essa relação é mais bem explicitada quando, por diversos motivos, o oprimido hospeda o opressor, difundindo os valores produzidos pelo último, consolidando seus interesses políticos e econômicos. A ideologia dominante, ao apoderar-se do oprimido e nele habitar, torna a realidade opaca, deixando o oprimido indeciso e míope para não vê-la claramente. Desse modo, preserva o status quo e a relação de opressão legitima e se perpetua, mantendo a verticalização da mesma.
Somente quando os oprimidos se descobrirem hospedeiros do opressor poderão contribuir para a sua libertação. O primeiro passo para virar esse jogo é a CONSCIENTIZAÇÃO. A consciência da opressão por parte do oprimido põe em xeque o status quo até então considerado legítimo e que o almejava. Seu poder alienante deixava o oprimido indeciso e deformado quando por ele tocado. A domesticação do oprimido pelo opressor é colocada em questão e sua SUPERAÇÃO é o próximo passo. O fatalismo que era inexorável cede lugar a busca, pois o oprimido vê que é capaz de objetiva-lo e transformá-lo. Indoutrinados no sentido de sua acomodação ao mundo da opressão, os oprimidos, nesse contexto, se transformam em sujeitos de sua própria história e agentes de transformação do status quo, antes absoluto. Nos postulados dos mesmos autores encontramos críticas a essa ideia de separar o “joio do trigo”, “os normais” e os “anormais”, assim, todos, independentemente de suas possibilidades e potencialidades, devem estar juntos no desenvolvimento histórico-social-cultural.
A biofilia é o amor à vida, a essência da existência humana. O homem nasceu para a vida e é sua vocação estar comprometido com ela, refletindo sobre sua existência e sobre as ações no e com o mundo para humaniza-lo cada vez mais. Este só se conscientiza quando esta no mundo e com o mundo, quando toma como sua responsabilidade de participar e co-participar  com os outros. É nessa situação que o homem se torna homem, que atua no cotidiano da história, que se constrói junto ao outro, de forma coletiva. “A conscientização está evidentemente legada à utopia, implica utopia. Quanto mais conscientizados nos tornamos, mais capacitados estamos para sermos anunciados e denunciadores, graças ao compromisso de transformação que assumimos”. (FREIRE, 2000, P.28) – Por: Carlos Alberto MARQUES

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